LançamentosComunicação e Saúde é tema de livro a ser lançado em Brasília 
No próximo dia 9 de julho, às 19h, será lançado o livro Comunicação e Saúde. O evento acontecerá no Restaurante Fausto e Manoel (104 Norte, Bloco A), em Brasília (DF). A publicação reúne múltiplas abordagens da comunicação para a promoção da saúde. Os artigos fazem uma reflexão de experiências realizadas em países de três continentes (Brasil, México, Portugal e Tanzânia). A obra, apoiada pelo Ministério da Educação, conta ainda com entrevistas de especialistas na área. A publicação é resultado das atividades do Projeto Comunicação Comunitária (www.unb.br/fac/comcom), que pretende ampliar o acesso à mídia e a canais de comunicação que garantam o diálogo dos jovens sobre a promoção da saúde e a prevenção de doenças, e estimular a criação de linguagens audiovisuais que ampliem e diversifiquem as possibilidades de participação social. Além disso, a iniciativa busca realizar divulgação de conteúdo audiovisual visando a disseminação de informação sobre saúde, juventude e comunicação. Autores: Juliana Soares Mendes, Marilucia Rocha de Almeida Picanço, Ângela Leão Costa, Ubirajara Picanço, Leyberson Pedrosa, Arquimedes Pessoni, Marian Tóth, Rodrigo Laro, Rogério Santos, Isa Maria Freire, Rachel Mello, Thomas Tufte, Fabiana Lopes Rocha, Marcelo Bizerril, Ana Maria Cavalcanti Lefevre, Fernando Lefevre, Norma Silva Valêncio, Rafael Neves, Carmen da Conceição Araujo Maia, Thiago Araújo Maia, Guilebaldo López López, Laura González Morales, Mariana Haubert, Jeronimo Calorio, Mariana Tokarnia e Fernando Oliveira Paulino. Entrevistas com: Darlan Rosa, Mara Régia, Maria Josenilda Gonçalves da Silva e Ubirajara Picanço.
Escrito por Prof. Dr. Arquimedes Pessoni às 08h58
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|

Escrito por Prof. Dr. Arquimedes Pessoni às 15h01
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
Falsa revista financiada por laboratório farmacêutico
Escrito por Prof. Dr. Arquimedes Pessoni às 15h54
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
Receitas médicas escritas à mão contêm três vezes mais erros
Estudo mineiro avaliou erros de prescrição de medicamentos perigosos e alerta para a omissão de informação, presente em 86,5% das receitas com ao menos uma falha. Após avaliar 4.026 receitas médicas de 456 pacientes com medicamentos potencialmente perigosos, pesquisa mineira identificou que 44,5% deste tipo de prescrição apresentava algum tipo de erro e concluiu que a padronização no processo de prescrição e a eliminação daquelas feitas à mão podem reduzir o número de erros. Segundo o artigo científico, disponibilizado on-line na Revista de Saúde Pública e que ainda aguarda publicação, o percentual de erros pode, eventualmente, ser ainda mais alto, pois não foi possível considerar a condição clínica do paciente e discutir os casos com o médico responsável pelas receitas. Conduzida por Mário Borges Rosa e colegas da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Pontifícia Universidade Católica (PUC-MG), a pesquisa analisou as prescrições quanto a: legibilidade, nome do paciente, tipo de prescrição, data, caligrafia ou grafia, identificação de quem a prescreveu, análise do medicamento e uso de abreviaturas.
O estudo observou que um dos erros mais perigosos encontrados foi o uso intensivo e sem padronização de abreviaturas nas prescrições, esta última com uma média superior a 30 ocorrências por receita médica. Os pesquisadores ressaltam que “já é antiga a ideia” de eliminar o uso de abreviaturas, citando como exemplo o caso de um paciente canadense que teve lesão grave permanente: “ele recebeu 70 unidades de insulina em vez das sete prescritas, porque a abreviatura ‘U’ foi confundida com o número zero”. Se não for possível escrever por extenso em toda a receita, os pesquisadores recomendam, ao menos, alguma padronização. Metade das prescrições estudadas estavam escritas à mão. De acordo com os pesquisadores, erros de prescrição podem ser reduzidos com a utilização de editores de textos para a indicação do medicamento, evitando o manuscrito. Outros medicamentos potencialmente perigosos que apresentaram alto índice de erros de prescrição foram o fentanil (analgésico narcótico), com 22,1%, e o midazolam (indutor do sono), com 11,4%. Além disso, eles identificaram que a heparina (anticoagulante) foi a droga com maior número de erros – 33,7% das receitas avaliadas continham ao menos um problema – e que a média de erros por cada uma das 4.026 receitas estudadas é de 3,3, predominando a omissão de informação (86,5%). "A heparina e o midazolam foram responsáveis pela maioria dos erros relacionados à concentração. Verificou-se tendência à omissão da forma farmacêutica quando a heparina e o fentanil eram prescritos, pois, juntos, originaram a quase totalidade dos registros (de erros de omissão da forma farmacêutica)”, detalham. Os autores destacam no artigo que, em 1999, um estudo norte-americano (To err is human: building a safer system) estimou que cerca de 98 mil morrem anualmente, nos EUA, em consequência de erros associados à assistência à saúde. Na opinião de Borges Rosa e colegas, muitos paradigmas são confrontados na discussão de erros em instituições de saúde. “Os profissionais de saúde normalmente associam falhas nas suas atividades à vergonha, perda de prestígio e medo de punições. De modo geral, o ambiente nas instituições de saúde não é propício para uma discussão franca sobre o assunto”, consideram. Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico)
Escrito por Prof. Dr. Arquimedes Pessoni às 16h02
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
Limitar propaganda de alimentos calóricos pode ajudar a reduzir obesidade infantil, sugere estudo

Resultados sugerem que uma em cada sete, podendo chegar a uma em cada três crianças, não seria obesa na ausência de propaganda de alimentos não saudáveis na TV. Limitar a exposição de crianças ao marketing de alimentos altamente calóricos pode ser uma possibilidade no esforço de tornar a dieta infantil mais saudável, concluiu estudo publicado na edição eletrônica European Journal of Public Health. Os resultados sugerem que uma em cada sete, podendo chegar a uma em cada três crianças, não seria obesa na ausência de propaganda de alimentos não saudáveis na TV.
Segundo a pesquisa, conduzida por pesquisadores da Austrália e dos Países Baixos, já existiam evidências que indicam que a propaganda de alimentos pode ser uma das causas da obesidade infantil - porém, não se sabe ao certo qual é a força de tal efeito. Com o objetivo de contribuir para o debate, os especialistas construíram um modelo de simulação matemático para estimar os potenciais efeitos, em crianças norte-americanas com idade entre 6 e 12 anos, da redução da exposição a comerciais televisivos de alimentos na prevalência do sobrepeso e da obesidade. Em outras palavras, eles procuraram estimar o quanto da prevalência da obesidade infantil pode ser atribuído à propaganda na televisão para ajudar a orientar decisões sobre até que ponto a propaganda de alimentos, de maneira geral, deve sofrer alguma restrição. “Com base nos dados da literatura, o modelo previu que, se não houvesse qualquer exposição, o índice de massa corporal médio seria reduzido em 0,38kg/m–2 e reduziria a prevalência da obesidade de 17,8% para 15,2%, no caso dos meninos, e de 15,9% para 13,5% entre as meninas. Quando as estimativas são baseadas na opinião de especialistas, a queda é ainda maior, indo para 11,0% e 9,9%, respectivamente”, afirmam o autor do estudo J. Lennert Veerman, da University of Queesnland (Austrália), e colegas no texto. Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico)
Escrito por Prof. Dr. Arquimedes Pessoni às 19h51
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
PAUTA INCAUTA
Jornalismo na área da saúde: é preciso saber separar o joio do trigo antes de divulgar assuntos médicosRevista Ser Médico - Cremesp - Edição 46 - Janeiro/Fevereiro/Março de 2009 
Releases que chegam aos grandes jornais evidenciam que assessores de imprensa desconhecem regulamentação para divulgar assuntos médicos Em número cada vez maior, as informações da área saúde que chegam aos jornais de grande circulação ou especializados demonstram desconhecimento das regras para divulgação de assuntos médicos. Conhecidos como releases (variante da denominação em inglês press-release), os textos produzidos por assessorias de imprensa e assinados por jornalistas ou relações públicas são enviados aos jornais para sugerir pautas sobre as “novidades” em relação a produtos, serviços ou propor entrevistas com profissionais. Na área médica, referem-se a novos medicamentos, equipamentos ou procedimentos. O desconhecimento, por parte do assessor de imprensa das normas que regulamentam a divulgação desses temas pode trazer problemas aos médicos que os contratam. O Código de Ética Médica e a Resolução 1701/03, do Conselho Federal de Medicina, regulamentam o assunto visando coibir a publicidade indevida ou enganosa, o sensacionalismo, a exposição pública de pacientes, a mercantilização da medicina e a prática de concorrência desleal entre médicos. A Resolução 1701 instituiu a Comissão de Divulgação de Assuntos Médicos (Codame) nos Conselhos Regionais de Medicina com prerrogativa para emitir pareceres e consultas sobre assunto, rastrear informações divulgadas em qualquer mídia que desobedeçam as normas e instaurar sindicância quando há indícios de infração ética. Ainda no âmbito dos Conselhos de Medicina, há outras resoluções importantes (veja o subtítulo Comunicação correta à pág. 13). A Codame do Cremesp produziu um guia prático para consulta intitulado Ética em Publicidade Médica, disponível nas versões impressa e eletrônica. Fora do âmbito dos Conselhos, a divulgação de assuntos médicos também está sob a regulação da Agência Nacional de Saúde (Anvisa), entre outros órgãos. A despeito das normas, os releases anunciam “técnicas inovadoras ou revolucionárias de tratamento”, que na maioria das vezes sequer é reconhecida cientificamente. A reportagem do Cremesp teve acesso a um release que sugere a “betaterapia, como uma técnica relativamente nova para a perfeição da cicatrização pós-cirurgia plástica”. Descreve ainda que o médico xis está disponível para explicar detalhes do “novo” procedimento. E o último trecho do texto anuncia: “temos pacientes que podem aparecer como personagem para ilustrar a matéria”. Embora assinado por um assessor de imprensa, o texto do release deixa claro a quebra do sigilo do paciente, sob a responsabilidade do médico. Outro exemplo é de um assessor de imprensa de um grande complexo hospitalar que enviou às redações um texto sobre uma cirurgia para transplante de órgão (retirado de pessoa que se tornou famosa pela situação em que morreu) que “havia sido realizada com sucesso pelo hospital xis”. O release divulgou tanto o nome do doador como o da pessoa que recebeu o órgão – contrariando as recomendações atuais. Não há normatização sobre o assunto, mas a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) orienta que, mesmo que o receptor ou sua família deseje saber quem foi o doador, a equipe que realizou a cirurgia de transplante não poderá informá-lo. Outro release anuncia em seu título “mais uma morte” por um determinado procedimento: “o dr. fulano alerta para os cuidados que o paciente deve ter ao fazer a cirurgia”. O texto anuncia que o médico é especialista da área e está à disposição da imprensa para falar sobre o procedimento em questão, além de uma lista de outros não relacionados à sua especialidade. Esses são apenas alguns exemplos, mas os jornalistas especializados em saúde recebem dezenas de textos desse tipo diariamente nas redações dos grandes jornais. A maioria deles vai diretamente para o lixo. Os jornalistas reclamam da falta de credibilidade científica das informações da área da saúde que chegam por release (acompanhe as entrevistas abaixo). “Em qualquer mercado há profissionais mais preparados e menos preparados”, defende-se a vice-presidente da Associação Brasileira das Agências de Comunicação (Abracom) e sócia da Ketchum Estratégia, Rosâna Monteiro. Para ela, a saúde é o segmento mais difícil e complexo para se prestar assessoria porque envolve o médico, o paciente, a doença e a terapia ou medicamento, o que exige profissionais melhores preparados. “Todo assessor aceita como verdadeira as informações passadas pelo cliente. Em geral, os contratos têm uma cláusula que diz que o contratante é responsável pela veracidade das informações ou fatos que encaminhar à contratada”, ressalta. Segundo o presidente do Cremesp, Henrique Carlos Gonçalves, a relação entre médicos e assessorias de imprensa que desprezam as normas para divulgar assuntos médicos é uma preocupação do Conselho. “O Código de Ética Médica e o Manual da Codame preceituam a adequada comunicação entre médicos, seus pacientes, a mídia e a população, realizada de forma ética e responsável. As informações devem ter caráter educativo, visando esclarecer a população e promover a saúde”, destacou Gonçalves. A Codame pode propor a instauração de sindicância, tendo como denunciante o próprio Cremesp ex-officio, quando toma conhecimento da divulgação indevida de assuntos médicos. O coordenador da comissão, Lavínio Nilton Camarim, informa que os expedientes abertos representam 10% do total geral do Cremesp. Somente em 2008, foram cerca de 200 expedientes. Segundo Camarim, parte desses expedientes refere-se a informações que o médico não deveria disponibilizar à sua assessoria de imprensa que, na ânsia de promover o “cliente”, faz a divulgação indevida. Gonçalves lembra que a leitura atenta de alguns artigos do Código de Ética Médica e do Manual da Codame ajuda a prevenir problemas éticos para os médicos. Veja, a seguir, um resumo das normativas.
Escrito por Prof. Dr. Arquimedes Pessoni às 10h00
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
PAUTA INCAUTA
Comunicação correta
Principais normativas sobre o assunto Código de Ética Médica Artigo 9º – “A medicina não pode, em qualquer circunstância ou de qualquer forma, ser exercida como comércio”. Os artigos a seguir proíbem ao médico: 79 – Praticar concorrência desleal com outro médico; 104 – Fazer referência a casos clínicos identificáveis, exibir pacientes ou seus retratos em anúncios profissionais ou na divulgação de assuntos médicos em programas de rádio, televisão ou cinema, e em artigos, entrevistas ou reportagens em jornais, revistas ou outras publicações leigas; 131 – Permitir que sua participação na divulgação de assuntos médicos deixe de ter caráter exclusivamente de esclarecimento e educação da coletividade; 132 – Divulgar informação de forma sensacionalista, promocional ou de conteúdo inverídico. Considera-se autopromoção quando o médico procura beneficiar-se da informação divulgada para angariar clientela e auferir lucros. Considera-se sensacionalismo a utilização dos meios de comunicação para divulgar métodos e procedimentos sem reconhecimento científico ou aceitação da especialidade; 133 – Divulgar, fora do meio científico, processo de tratamento ou descoberta cujo valor não esteja expressamente reconhecido. 139 – Apresentar como originais quaisquer idéias, descobertas ou ilustrações que não o sejam. Resoluções A Resolução do CFM 1701/03 estabelece os critérios norteadores da divulgação de assuntos médicos. A Resolução CFM 1499/98 proíbe aos médicos a utilização de práticas terapêuticas não reconhecidas pela comunidade científica. O guia prático Ética em Publicidade Médica está disponível no site do Cremesp Jornalistas especializados em saúde reclamam dos releases Ser Médico entrevista jornalistas da área da saúde sobre a relação com as assessorias de imprensa do setor Quantos releases da área médica recebe diariamente? E o que isso significa para seu trabalho? Julio Abramczyk, médico e colunista do jornal Folha de São Paulo - Em média, de dez a quinze. Raramente são aproveitados no Plantão Médico. Fabiane Leite, jornalista de saúde do jornal O Estado de São Paulo - Recebo, em média, dois por hora. Na realidade, a grande maioria não resulta em pautas, por tratar de promoção pessoal ou de produto específico, o que choca com a ótica do interesse público que pauta nosso trabalho. Claro que alguns releases trazem idéias para pautas mais amplas, mas a grande maioria é pura publicidade, sem critério e preocupação com embasamento científico – o que me faz pensar que os profissionais não entendem o que é jornalismo científico e de saúde. Cláudia Collucci, repórter especial de saúde da Folha de SãoPaulo, mestre em História da Ciência pela PUC-SP - Em média, de cem a 150 por dia. A grande maioria (95%) significa muito pouco porque não rende pauta. Cilene Pereira, editora de saúde da revista IstoÉ - São muitos, em torno de 10 por dia. Como você seleciona e analisa esses releases? Quais são os maiores problemas em relação a eles? Julio - São selecionados aqueles relativos a congressos ou reuniões. Os comunicados de instituições oficiais recebem destaques relacionados à repercussão que a notícia possa ter. Fabiane - A experiência ajuda a perceber pautas “cozinhadas”, assuntos já devidamente explorados ou questões que não têm relevância pública. O maior problema em relação a eles é justamente a falta de conexão com a realidade do país e pseudoestudos elaborados com poucos pacientes, em poucos locais e nunca publicados, ou seja, com zero para relevância científica. Cláudia - Depende do assunto. Se a sugestão está embasada em pesquisa, tento analisar a metodologia do estudo.Em geral, não tem critério científico rigoroso. São estudos pequenos, sem relevância, que os assessores utilizam apenas como uma ferramenta para tentar “vender” o médico para o qual trabalham. Outro critério de seleção é o ineditismo. Por exemplo, o Dante Pazzanese está fazendo uma pesquisa com célula-tronco de gordura para tratar insuficiência cardíaca. É o primeiro hospital brasileiro a fazer isso, então é notícia. Os maiores problemas em relação aos releases são: a falta de novidade (em todas as estações do ano, por exemplo, chovem releases óbvios falando de doenças associadas a elas, como as alergias), informações enviesadas (vendem os efeitos positivos de uma droga e ignoram os adversos) ou falsas (dizem que algo é novo, quando, na verdade, não é). Cilene - Acontece, às vezes, de chegar um release elaborado de uma forma tão “tosca” que logo descarto. E chega muita besteira, coisas velhas que nem o assessor sabe do que está falando. Pode citar exemplos de releases antiéticos? Julio - Release antiético é aquele que tenta fazer propaganda subliminar sobre o cliente (médico ou hospital, ou ambos juntos), como se fosse uma agência de publicidade e não assessoria de imprensa. Fabiane - São centenas de estudos não publicados, ou seja, sem revisão dos pares, “vendidos” como produção científica de qualidade. Outro caso péssimo que já ocorreu comigo foi o de uma empresa fabricante de produtos hospitalares que enviou aos jornalistas bolsas para diálise em uma caixa de presente. Não sei onde a empresa e o assessor pretendiam chegar, se achavam que algum jornal de grande circulação faria uma matéria específica sobre a tal bolsa, o que é totalmente improvável. Além do mau gosto óbvio e do desperdício de dinheiro, considerando que este país encontra enormes dificuldades para garantir o acesso à hemodiálise. Claudia - São muitos, alguns bizarros. Em três ocasiões, recebi releases com reproduções literais de textos meus, sugerindo a mesma matéria que eu já havia publicado na Folha. A única diferença era a inclusão do nome do “patrão” (médico) do assessor como fonte de entrevista. Também são comuns referências exageradas sobre o médico a ser entrevistado do tipo, “um dos maiores especialistas brasileiros”. Quando você vai pesquisar mais informações sobre o determinado profissional, percebe que ele não está vinculado a nenhuma instituição acadêmica, não tem publicações e não há razão alguma para o auto-título. Outra situação que julgo antiética são os médicos “porta-vozes” de laboratórios. Todos os releases de laboratórios farmacêuticos “vendendo” maravilhas de uma nova droga vêm acompanhados de nomes e telefones de médicos (esses, sim, ligados a renomadas instituições acadêmicas, como USP e Unifesp) para serem ouvidos. Outra situação corriqueira é o assessor “vender” determinada técnica realizada pelo médico como inédita quando, na verdade, já é feita por vários outros profissionais. Um repórter experiente não cai nessas armadilhas, mas um inexperiente pode, facilmente, ser ludibriado. Cilene - Muitos chegam com erros de português, falando de obviedades. Alguns oferecem tratamentos “revolucionários”. Em relação aos assessores de imprensa de médicos que oferecem personagens (pacientes) para a matéria a ser desenvolvida, como procede? Julio - Não tomo conhecimento. Fabiane - É um recurso para tentar acessar pessoas que realmente vivem determinadas patologias, e se houver concordância e entendimento do paciente sobre a exposição que sofrerá, tudo bem. Costumo deixar sempre claro que é uma entrevista, que todo mundo vai ver ou ler. Isso porque, às vezes, as pessoas falam em razão da confiança depositada no médico e depois se assustam com o resultado (o que é proibido pelo artigo 104 do CEM). Mas, com a profusão de comunidades no Orkut e outros sites de relacionamento, é possível uma busca mais independente de pessoas que realmente querem dividir suas histórias. No caso do antes e depois, vetado pelos conselhos de medicina, sou totalmente contra a exibição do paciente, porque é um procedimento enganoso. Ou seja, nem todas as pessoas teriam aquela mesma experiência retratada pelas fotos antes e depois. Cláudia – Essa é uma situação complicada porque os personagens são extremamente necessários para as nossas matérias e, na maioria dos casos, só o médico pode ter acesso a eles. Prefiro tratar desse assunto diretamente com o médico, sem a interface do assessor de imprensa. Mas, sem dúvida, sempre que a matéria exige, peço sim ao médico a indicação de um personagem. Cilene - Em geral, agimos com certa desconfiança. Quando o pacote é completo, já olho meio desconfiada. Os jornalistas que fazem assessoria de imprensa para médicos ou serviços médicos têm conhecimento das normas que regem a divulgação desses assuntos? Julio - Alguns podem ter e até certo ponto entendem as normas da ética médica. Mas, para a maioria das assessorias, a norma é atender o cliente de acordo com o que foi solicitado. Fabiane - Não só eles como os médicos que os contratam. Mas o pior é dispensar princípios éticos da própria profissão. Enfim, alguns assessores avançam além do que é considerado ético para satisfazer a pressão do cliente, oferecendo, por exemplo, vantagens na clínica para os jornalistas, um tratamento pós-matéria (risos), principalmente no caso de médicos que trabalham com estética. Isso acaba com a independência e distanciamento necessários. Cláudia – Sem dúvida, a maioria deles não tem. Há profissionais muito experientes e éticos, mas são exceções. Cilene - Alguns sim, outros não. Depende. O que poderia ser feito para melhorar a qualidade das informações sobre saúde e medicina na grande imprensa? Julio - Investir nas futuras gerações de jornalistas: promover seminários sobre saúde, medicina e ética médica nas faculdades de jornalismo. Cursos de pós-graduação nessas áreas para os atuais jornalistas profissionais, por meio de bolsas do CNPq e Capes. Fabiane – Garantir a convivência entre profissionais experientes e em início de carreira nas redações. Isto evitaria um monte de bobagens. Cláudia – Algumas iniciativas já têm sido feitas, como os cursos de jornalismo em saúde ministrados pelo Hospital Albert Einstein, Hospital do Câncer, Universidade de São Paulo (USP) e Associação Médica Brasileira (AMB). Penso que, para avançar mais nesse tipo de capacitação, primeiramente, seja necessária a realização de uma pesquisa séria avaliando a qualidade da divulgação das informações de medicina e saúde na grande imprensa. A partir daí, poderia se pensar em um curso focado nas reais necessidades do mercado. Cilene – Deve haver um empenho daqueles que estão nas redações para tentar se informar melhor sobre as coisas, para realizar um serviço mais apropriado e com mais qualidade, escolhendo melhor as fontes. Enfim, ter um discernimento do que vai ser publicado e começar a estudar e pesquisar. E defendo que existam, cada vez mais, cursos para informar os jornalistas que se interessem pela área. Esses treinamentos deveriam ser dados por quem está nas redações porque hoje, infelizmente, existe uma distância muito grande entre as faculdades e a prática. Especialmente na área de saúde, que ganhou importância relativamente recente.
Escrito por Prof. Dr. Arquimedes Pessoni às 09h59
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
Paciente expert
Agência Fapesp 
6/4/2009 Por Thiago Romero Agência FAPESP – Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em artigo publicado na revista Interface – Comunicação, Saúde, Educação, fizeram uma revisão bibliográfica em 15 estudos que discutem as consequências que o “paciente expert”, indivíduo que busca ativamente informações sobre doenças na internet, teria sobre a profissão médica. Ainda que os artigos analisados, que envolveram 33 autores de 18 universidades, apresentem posições distintas sobre a interferência de tais informações na relação médico-paciente, a análise chama a atenção para a desprofissionalização da prática médica, questão discutida há anos e que, segundo os autores do estudo, necessita de atualizações. “Teorias a respeito da desprofissionalização vêm sendo discutidas no âmbito de diferentes profissões desde a década de 1970. Trata-se de uma questão sociológica que tem na medicina a profissão ideal para esse tipo de debate”, disse uma das autoras do artigo, a médica Helena Beatriz Garbin, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, à Agência FAPESP. “O problema é que as pessoas vêm adquirindo muito mais informação do que conhecimento médico. E quando o indivíduo leigo adquire informações sobre sua doença, isso pode até gerar certo reequilíbrio na relação médico-paciente, mas a questão do poder de decisão ainda deve ser baseada em quem detém o conhecimento”, afirmou. Os artigos analisados, publicados entre 1997 e 2005 por pesquisadores do Reino Unido, Holanda, Estados Unidos e Canadá, foram selecionados em duas revistas britânicas da área: Social Science and Medicine e Sociology of Health & Illness. De acordo com o serviço ISI Journal Citation Report, as duas revistas estão entre as mais importantes no mundo nas áreas de sociologia, ciências sociais e biomedicina. Segundo o estudo, a internet pode oferecer grande quantidade de dados atualizados, tendo condições de transformar a relação médico-paciente, tradicionalmente baseada na autoridade concentrada nas mãos do médico. “A elevação do poder decisório do paciente compromete a autoridade profissional e desafia o médico a estar constantemente atualizado, criando a possibilidade de decisões mais compartilhadas”, disse Helena. Para ela, o acesso às informações na internet faz com que o “paciente expert” esteja menos disposto a acatar as determinações médicas.
Diálogo mais produtivo Segundo a análise feita pelos pesquisadores da Fiocruz, a literatura científica analisada considera que o paciente expert é resultado da melhoria do nível educacional das populações, do maior acesso às informações técnico-científicas disponíveis e da transformação da saúde em um objeto de consumo. Outros artigos analisados, no entanto, sugerem que esse comportamento poderia, por outro lado, fortalecer a imagem do médico: os pacientes acabariam confiando mais no profissional após a consulta das fontes da internet. “Apesar do alto potencial de gerar conflitos, consultar dados na internet também pode reforçar essa relação, dependendo muito, nesse caso, de como o médico vai se adaptar com o nível de atualização do paciente”, disse Helena. As mulheres, de acordo com a pesquisa, são as que mais buscam informações sobre saúde na internet, ao procurar prevenir doenças e reduzir os custos de tratamento de membros da família. “Atualmente, tem crescido também o número de jovens e idosos em busca dessas informações”, disse. O artigo ressalta que muitas vezes os dados na internet podem estar incompletos e até incorretos, além de que a linguagem médica pode não ser entendida como deveria, fazendo com que os pacientes tenham dificuldade de distinguir o certo do enganoso. “A maior preocupação não está na relação entre médico e paciente, mas no nível dos riscos que são oferecidos para a saúde pública. O perigo do excesso de informação na internet está na falta de um controle de qualidade desses dados, o que poderia acarretar, entre outros problemas, no aumento da automedicação”, aponta Helena.
Escrito por Prof. Dr. Arquimedes Pessoni às 09h57
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
Os Santos da Violência

Rolling Stone: Os Santos da Violência Revista Rolling Stone Por: Cláudio Júlio Tognolli Ilustração: Índio San e Tatipedó Janeiro de 2009 VITIMAS DE CRIMES HEDIONDOS, CRIANÇAS E JOVENS COMO ELOÁ CRISTINA, ISABELLA NARDONI E JOÃO HÉLIO PROTAGONIZARAM BIZARROS ESPETÁCULOS MIDIÁTICOS, TORNANDO-SE MÁRTIRES DA VIOLÊNCIA NO BRASIL E ALIMENTANDO A TODOS NÓS, CONSUMIDORES DE TRAGÉDIAS
Escrito por Prof. Dr. Arquimedes Pessoni às 15h17
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
VEJAMOS O CAPÍTULO O SERTANEJO , DO livro Os Sertões, de Euclides da Cunha. O escritor descreve uma das figuras mais típicas da brasilidade como a quem “falta-lhe a aparência impecável, o desempenho, a estrutura corretíssima das organizações atléticas. É desgracioso, desengonçado, torto. Hércules-Quasímodo, reflete no aspecto a fealdade típica dos fracos. O andar sem firmeza, sem aprumo, quase gingante e sinuoso, aparenta a translação de membros desarticulados. Agrava-o a postura normalmente abatida, num manifestar de displicência que lhe dá um caráter de humildade deprimente “. Corriam dias de névoa fantasmal no ABC Paulista naquele 13 de outubro de 2008. Auxiliar de produção de uma fábrica da Bombril, Lindemberg Alves, filho de paraibanos, era algo parecido com esse sertanejo perdedor, para os amigos. Um derrotado de 22 anos de idade, que iria fazer de seu trabuco um instrumento de mil utilidades, como a buchinha que ele produzia na fábrica. Eis que, com o sangue inquinado de paixão por Eloá Cristina Pimentel, 15 anos, decretou, segundo a amiga-refém Nayara da Silva (e já com a arma nas mãos), que naquele episódio passava de perdedor a "príncipe do gueto". Nesse momento de irresolução, Lindemberg está no pleno domínio de suas potências. Enganou a polícia primeiro, para depois enganá-la novamente. E assim converteu-se naquelas próximas linhas em que Euclides da Cunha relatava a transmutação do sertanejo fracote no nordestino homem-potência. "O homem transfigura-se. E a cabeça firma-se alta, sobre os ombros possantes, aclarado pelo olhar desassombrado e forte; e da figura vulgar do tabaréu canhestro, reponta, inesperadamente, o aspecto dominador de um titã acobreado e potente, num desdobramento surpreendente de força e agilidade extraordinárias." Naqueles dias em que Lindemberg saiu na mídia de todo o Brasil, ora tentando matar as duas meninas que mantinha como reféns, ora explicando, ao telefone e em tempo real, que era capaz de morrer e matar por paixão, o país já estava matizado e refervido de um novo estigma. Os vocábulos "menino" e "menina" passavam a desfilar nas notícias sobre martírios. Havíamos tido, no Rio de Janeiro, o menino João Hélio, arrastado à morte por bandidos. Em São Paulo, era o caso da menina Isabella Nardoni, supostamente trucidada pelos pai e madrasta, como vendeu a imprensa. Em Curitiba, logo depois, Rachel foi encontrada morta e esquartejada em uma mala. Em Goiás, uma menina era mantida amarrada pela tutora — e assim foi mantida, mesmo com o caso descoberto, até que a imprensa pudesse chegar para filmá-la ainda agonizante sob as cordas. O finado e refinado diplomata José Guilherme Merquior, a quem o pensador francês Raymond Aron costumava chamar de o único brasileiro que "leu tudo e tudo entendeu", sempre dizia nada esperar da mídia. Achava-a efeitista, ou seja: as pessoas gostam da mídia porque, em geral, ela não produz significados, mas gera efeitos - sejam friozinhos na barriga ou pontadas pungentes nos corações. O ensaísta italiano Umberto Eco gosta de dizer que os martírios atraem porque, ao contrário das narrativas religiosas, cujos finais todos conhe-cem, jornais em geral vendem fins de histórias absolutamente insondáveis. Do outro lado, os que usam da mídia para lucrar popularidade sabem bem disso. O cineasta Alfred Hitchcock admitia que "não existe terror no estrondo, apenas na antecipação dele". O ex-presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, gostava de dizer que "as pessoas reagem ao medo, não ao amor". E Goebbels, ministro da propaganda de Hitler, orgulhava-se de ter detectado que "falamos sempre não para dizer algo, mas para obter algum efeito". O niilismo coquete da mídia consiste em juntar tudo isso bem ajuntado e ofertar um pacote cujas decorações, ultimamente, têm sido ornadas dos vocábulos "menino" e "menina" ligados a situações de mártires ou martirizadores.
Escrito por Prof. Dr. Arquimedes Pessoni às 15h16
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
ALÉM DOS CASOS ISABELLA E Eloá, a crônica de martirizações foi dilatada em 2008. Começamos em 7 de fevereiro, quando o carioca João Hélio Fernandes Vieites, de 6 anos de idade, preso a um cinto de segurança, foi arrastado à morte por 7 quilômetros pelos monstros que assaltaram sua mãe. Em 17 de março, a menina Lucélia Rodrigues da Silva, de 12 anos, foi torturada a ferro de passar roupa, martelo e alicates, em Goiânia, na casa da empresária Silvia Calabrese, que a empregava. A tese de mestrado da jornalista Lillian Bento, da Organização Jaime Câmara, revela que as autoridades policiais mantiveram a menor atada, da forma deixada pela pátria algoz, até que a imprensa chegasse para poder filmar o martírio e projetá-lo em cadeia nacional. A 5 de novembro, a menina Raquel Maria Lobo Oliveira Genofre, 9 anos, foi encontrada, vítima de estrangulamento e violência sexual, dentro de uma mala abandonada na Rodoferroviária de Curitiba. Cláudio Marcos Picazio, psicanalista paulistano, autor da obra Sexo Secreto (Ed. Summus), com mestrado em violência doméstica, é um especialista no tema. "A mídia precisa desse tipo de caso porque ele esbarra nas nossas próprias possibilidades de perdermos o controle. Quem já não perdeu o controle por amor? Vejamos o caso dos Nardoni: ele estava em um domingo no supermercado com a família e três crianças. Poderia estar cansado, quase ultrapassando seus limites. As pessoas que acompanharam o caso projetaram nos Nardoni as suas possibilidades de perderem o controle. Naquela semana da morte da Isabella, alguns pacientes começaram a se mostrar preocupados com seus filhos", avalia. Nesse ponto, diz Picazio, os martírios são alertas. O martírio do outro serve como a minha purgação, como a minha redenção. "O humano não sabe lidar com suas questões de limite, como perda, raiva, frustração. Precisamos olhar para os limites externos, dos outros. Afinal, todos já quisemos alguma vez matar alguém. Soube de uma paciente que na semana do caso Isabella sem querer bateu a cabeça do seu filho contra a parede ao dar banho nele. Ela se preocupava muito com o caso Nardoni." E nesse sentido, prossegue o psicanalista, que o martírio de Cristo na cruz nos é o bom martírio. "Cristo está lá na cruz para nos redimir, para nos mostrar que as injustiças que sofremos, afinal de contas, podem nos levar a um bom lugar, como o dele, Cristo. Esses casos de martírio só vão para a mídia quando acontecem da classe média para cima: esses martírios só ficam famosos quando não se justificam pela pobreza. Afinal, se pobreza redundasse em violência, a índia seria o país mais violento do mundo." Sociólogo predileto do cineasta Michael Moore, Barry Glassner, autor de Cultura do Medo (Ed. Francis),traz alguns dados que jogam luz na questão. "Em uma pesquisa nacional, indagadas sobre por que acreditam que os Estados Unidos apresentam um sério problema em relação ao crime, 76% das pessoas citaram matérias vistas na mídia. Apenas 22% alegaram experiência pessoal", aponta ele. Seus dados são estarrecedores: entre 1990 e 1998, quando o índice de homicídios dos Estados Unidos caiu 20%, o número de histórias sobre assassinatos nos noticiários aumentou 600%. Tem mais: a jornalista Debbie Nathan e o advogado Michael Snedeker provaram que, graças à mídia, nos anos 90, sete entre dez americanos passaram a acreditar em crianças sendo martirizadas, em escala industrial, em rituais satânicos - cujos incidentes, em um ano, não passavam de três. No Brasil não temos ainda nenhum estudo mostrando como a mídia produz martirizações, com vários tons acima do real. Mas nos Estados Unidos, pôr a mídia em xeque é uma tradição acadêmica. Em 1996, por exemplo, o jornalista Bob Garfield coletou tudo o que saiu sobre doenças graves, por um ano, nos jornais The Washington Post, The New York Times e USA Today. Os três periódicos mostraram que havia nos Estados Unidos, somando os números divulgados, 543 milhões de norte-americanos gravemente doentes, em um ano em que a população somava 266 milhões de almas. E mais ainda: entre 1994 e 1995 mais de 500 reportagens foram publicadas revelando que 2,2 milhões de pessoas eram atacadas em seus trabalhos por criminosos. O repórter do Wall Street Journal, Erik Larson, provou que os números não eram verdadeiros. Sua reportagem, chamada "Uma Crise Falsa", denunciava como a mídia criava falsas crises de violência. Por exemplo: o índice de assassinato real de funcionários em locais de trabalho, nos Estados Unidos, era de apenas, por ano, 1 caso a cada 114 mil.
Escrito por Prof. Dr. Arquimedes Pessoni às 15h15
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
MARIA FERNANDA TOURINHO Peres é uma médica que trabalha no Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo. Está lá, como médica, justamente para tratar de crimes, que ora já são vistos como epidemias. Ela é uma das autoras do livro Homicídios de Crianças e Jovens no Brasil 1980-2002. A obra revela que, de fato, as maiores vítimas de homicídios, entre 1980 e 2002, são jovens e adolescentes entre 15 e 19 anos, que correspondem a 87,6% dos casos. O martírio de jovens nesse tipo de crime não pode ser negado como tendência mundial: estima-se que, pelo último levantamento global, que é do ano 2000, ocorram pelo menos 200 mil homicídios por ano, em todo o planeta, cometidos contra jovens entre 10 e 29 anos de idade. Maria Fernanda afirma que "quantitativamente, o fenômeno de violência entre jovens não é novo, ele apenas toma novas feições. Uma dessas feições é a teatralização, que é a forma de tratar a violência acriticamente, sem tentar mudá-la. Esse tipo de caso sempre demanda por respostas miraculosas". Para ela, "sabemos que os jovens lutam por símbolos de poder e consumo e que o envolvimento no tráfico é uma via de inserção profissional; daí o crime surge como alternativa. Mas resolver isso passa por perspectivas de futuro, não apenas discussões sobre os fatos presentes. Esses casos de martirização transformam esses eventos de violência em novelas, em que se espera pelo próximo capítulo, peto próximo quadro, pelos próximos resumos". A reportagem prossegue na cata das grifes mais glamurosas da análise de crimes. E, quando se trata de crimes passionais, a procuradora de Justiça Luiza Nagib Eluf é apontada como uma autoridade na área. Autora do clássico A Paixão no Banco dos Réus (Ed. Saraiva), ela salienta: "Crianças e adolescentes entraram precocemente no mundo dos adultos. Eles também amadurecem mais devagar; aos 30 anos ainda parecem adolescentes. Mas, paradoxalmente, entram no mundo dos adultos muito antes. Antigamente, criança jantava separada dos pais; hoje participa das discussões dos adultos, tem acesso ilimitado a tudo, não há mais barreiras. Assim, sexo e violência entram precocemente na vida desses jovens". Para Eluf, "o resultado é que esses adolescentes agem como adultos, mas não têm maturidade para isso, não têm experiência da vida real, vivem tudo no mundo virtual. Maturidade é lidar com situações reais, mas os nossos jovens, como têm soluções ao alcance do botão, estão cada vez mais fazendo risco de confusão entre a vida real e a virtual". Mas o caso da martirização não pode ser apenas julgado pelos teóricos do tema. Buscamos ainda os personagens que viveram na carne os casos Eloá, Isabella e João Hélio. Paulo Henrique Monteiro da Silva, amigo de Eloá e Nayara, 15 anos de idade, disse: "Não vi exagero, acho que a mídia teve cuidado com muita coisa. Só nunca tinha visto violência desse jeito na minha vida". Pedro Pereira, tio de Eloá, acredita que: "Houve machismo por parte da mídia, como se justificassem o crime de Lindemberg como gerado por um ciúme legítimo. A mídia exagerou e colaborou muito na barbaridade. A polícia não deveria ter esperado tanto, matasse ou não os envolvidos". Eduardo Lopes, advogado de Lindemberg, decreta: "A mídia colaborou com o martírio porque entrou no ar atrapalhando as negociações, algo totalmente fora de propósito. A divulgação da violência em tempo real incentiva, sim, a própria violência". Ele muda o tom de voz, e solta um leve riso ao fone: "Acredito que ele teve seu dia de fúria, como todos nós temos os nossos, como no filme". Ibatuan Lourenço Alves, tio de Lindemberg, que ganha a vida como mecânico de autos, acusa a mídia de martirização. "A imprensa só vê o lado dela, sempre, colaboram sempre para piorar os dramas e nesse caso passou da conta." Luciano Vieira, pai de Nayara, metalúrgico, vai pelo mesmo caminho: "O grande martírio dessa história toda foi a mídia entrar em contato direto com a cena do crime. Isso atrapalhou muito, mas a imprensa tem optado pelo excesso de crimes - e as crianças são confrontadas com esse mundo muito antes do tempo". No caso Isabella, o avô da vítima, o advogado Antônio Nardoni, fez questão de tecer longos arrazoados. "Se houve martírio, foi o praticado pelo processo midiático muito grande e irresponsável que divulgava fatos sem confirmação. A mídia transformou o casal em dois monstros, divulgando evidências não confirmadas. Os jornais cobraram fortemente as autoridades que ficaram condicionadas a dar dados não verídicos. O martírio é praticado por emissoras que vivem do ibope, vivem de blitzes policiais, de escândalos todos os dias. Minha neta virou um exemplo de martírio. O culpado está por aí, os laudos não comprovam nada. Apareceu uma camiseta com sangue, uma camiseta que não é do meu filho. De quem é essa camiseta? Me responde." Quem está do outro lado da questão, e acredita na culpa da madrasta e do pai de Isabella, fala pouco. É o caso da mãe da menina, a bancária Ana Carolina. Educada, mas lacônica, pede desculpas por não poder ser mais efusiva. "Se eu te falar algo positivo, posso complicar a situação. Se eu te falar algo de negativo, posso fechar algumas portas. É que o caso ainda está correndo. Se eu falar se houve ou não martírio, eu posso estar me metendo em uma situação muito complicada." O pai do menino João Hélio, Elsen, pede desculpas antecipadas pelo seu laconismo. "Não tenho feito mais declarações sobre isso. Não quero falar sobre martirização, não tenho falado, não quero nunca mais falar sobre isso, peço desculpas, mas jamais me procure para falar sobre isso de novo." demanda por respostas miraculosas". Para ela, "sabemos que os jovens lutam por símbolos de poder e consumo e que o envolvimento no tráfico é uma via de inserção profissional; daí o crime surge como alternativa. Mas resolver isso passa por perspectivas de futuro, não apenas discussões sobre os fatos presentes. Esses casos de martirização transformam esses eventos de violência em novelas, em que se espera pelo próximo capítulo, peto próximo quadro, pelos próximos resumos".
Escrito por Prof. Dr. Arquimedes Pessoni às 15h15
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
DETENTOR DE UM RECORDE mundial, com a redação de mais de 10 mil laudos sobre homicídios bárbaros, desde 1974, o psiquiatra forense Guido Arturo Palomba é apontado como um dos maiores experts em violência. Este ano lançou sua obra Tratado de Psiquiatria Forense (Ed. Atheneu), um cartapacio de 900 páginas. Analisou pessoalmente as mentes criminosas mais deturpadas do Brasil, como o maníaco do Parque do estado de São Paulo, Francisco de Assis Pereira, o atirador que fuzilou pessoas em um shopping paulistano, Mateus da Costa Meira, o matador de prostitutas Chico Picadinho e também o monstro do Parque Trianon (SP), Fortunatto Botton Netto - que torturava suas vítimas com nós de marinheiro. Palomba é sempre categórico. "Esse tipo de violência e martirização sempre existiu, mas agora está visível a todos, o que torna esses crimes mais precisos e rápidos. O que posso te dizer é que agressões e martírios cometidos dentro de casa por pais, mães, padrastos ou madrastas têm como regra básica o fato de que pelo menos um deles têm problemas de saúde mental. Quando temos dois adultos ou mais martirizando uma criança, ocorre aquilo que os franceses chamam de folie-à-deux, ou loucura a dois, em que um é o indutor do outro. No caso Nardoni, o que me chamou a atenção foi o martírio em que o ator de repente passou a ser uma boneca, a boneca tomava conta do espetáculo." A Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi) é a maior da América Latina em análise de noticiário juvenil. Á Andi cabem os cânones que dão temperatura ao que a mídia produz sobre crianças, acima de tudo. Guilherme Canela, coordenador de relações acadêmicas da entidade, aponta nas martirizações espetáculos técnicos de mídia que abrem Pai espiritual do filósofo francês Jean Paul Sartre, o alemão Martin Heidegger costumava estabelecer uma diferença seminal entre medo e angústia. Para ele, o medo se erige sobre um objeto real; já a angústia se constrói sobre o nada. Se cremos no que Heidegger escreveu, o gênero humano é capaz de qualquer coisa para sair do seu estado de nada, de angústia pura. Seres humanos são capazes de mover montanhas para ter um medo para chamar de seu. Talvez esteja aí o sucesso de A Bruxa de Blair (1999). Acostumados que estávamos a tubarões, a jasons, achamos o máximo um filme que nos dava o nada: ventos, galhinhos, cordinhas, barulhos. Toda essa teoria indica que não gostamos do vazio que é o nada. O medo antropomorfizado, que é o construído sobre figuras humanas, os martírios, são o barato, o papelote que a mídia dá de barato, independentemente dos índices de criminalidade. E é necessário saber da diferença filosófica entre medo e angústia para conversar com o Nelson Massini, o maior médico legista do Brasil. Ele reabriu o caso da morte de PC Farias, ex-tesoureiro de campanha do ex-presidente Collor e trabalhou na apuração da morte do líder Chico Mendes. Massini esclareceu ainda o caso do carrasco nazista Josef Mengele e reabriu os casos das mortes dos guerrilheiros Lamarca e Marighella. Falar de crime e não consultar Nelson Massini é um crime, pleonasmos à parte. "Por diversas vezes procurei explicações, algumas mais pragmáticas, outras através da neuro-ciência ou então juntando as duas na avaliação. Inicialmente trabalhei com o entendimento do homem sobre a morte, esse desconhecido que só é observado no semelhante e não imaginamos para nós. Quando essa relação não é assimilada ou trabalhada pelo homem, esse fenômeno torna-se incompreensível e, portanto, inaceitável." E o médico continua, "mais grave ainda para aceitação é que a morte seja determinada por violência e contra criança ou jovem. Por outro lado, essa reação de medo desencadeia uma forte reação orgânica de estresse e ansiedade que é nutrida pela seriação na evolução dos fatos, são ocorrências que atingem muito profundamente a todos explicadas pelo medo da morte e pela ansiedade e estresse de ser também a próxima vítima". Massini salienta que mais marcante ainda quando se prolonga esse estresse apresentando em série, as mídias saturam a todos com uma gota de estresse diária e assim alimentam o medo que é a fonte maior. "O ser humano, por ter medo do desconhecido e do inaceitável, no caso a morte e principalmente a prematura, se torna necrófago. Evidentemente que todos os meios de comunicação utilizam dessa necrofilia para atrair o ser humano que são seus leitores, telespectadores, ouvintes e outros. E vou mais adiante, essa ansiedade criada poderá ser aliviada pela interrupção da morte ou, se inevitável, pelo castigo àquele que deu origem, que para os humanos corresponde à justiça. Isso explica o sucesso dos filmes e livros envolvendo a morte e sempre com justiça no final para aliviar o estresse criado. Portanto, para todos os casos referidos, houve a necrofilia, o medo e o estresse marcados mão de discussões mais profundas. "Os casos são tratados individualizados, não se discutem as políticas de segurança pública, não se discutem os motivos. No caso Isabella, perdeu-se a discussão sobre a política de combate à violência doméstica. A martirização não alavanca as discussões." Para Canela, a mídia não respeita o Estatuto da Criança e do Adolescente nem a convenção sobre os direitos da criança. "Quando se trata de crianças que já morreram, não há mais respeito sobre essa imagem. Como se os mortos não merecessem respeito. As famílias também são entrevistadas em condições emocionais em que não têm condições de avaliar a sua própria superexposição. As pessoas não sabem nem têm como saber o que é estar no Fantástico falando por 20 minutos."pela imprensa e ficou em nós um profundo sentimento de angústia pela falta de justiça."
Escrito por Prof. Dr. Arquimedes Pessoni às 15h14
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
O JORNALISTA, PROFESSOR, doutor em comunicações e assessor de imprensa Arquimedes Pessoni de uma hora para a outra passou a ser reconhecido nas ruas. Afinal, como assessor da prefeitura de Santo André, no caso Eloá, Pessoni viu-se estampado em todas as tevês do Brasil. "O fato jornalístico acabou perdendo lugar para o espetáculo: o que era para ser uma notícia, limitada a espaços jornalísticos, ganhou contornos de novela e espetáculo popular, que, com o auxílio da mídia, foi ampliado usando vários ingredientes que fizeram com que a população, por mais de 100 horas e por dias depois do fato, continuasse a se interessar pela vida de todos os personagens. E olha que os personagens realmente tinham histórias (inclusive só reveladas a posteriori)... A vítima (Eloá) aparecia vez ou outra na janela de seu castelo de classe D/E pedindo calma aos pais e aos milhões de espectadores, colegas e familiares, na esperança de que o dragão seria domado. Tal como o filme Tubarão (1975), o malvado Lindemberg não se mostrava de rosto inteiro, apenas espreitando por traz da vítima, indicando que poderia atacar a qualquer momento. Só faltava a trilha sonora. O que os jornalistas que elegeram o fato perguntavam a cada momento era a mesma coisa: 'Será que ele irá libertá-la? Poderá a melhor amiga ajudar na sua libertação?'. O vilão também soube usar a mídia como ferramenta de defesa e de ganhar notoriedade, contando com o auxílio de alguns profissionais, que, na ânsia da exclusividade, colocaram a perder o controle da situação." Pessoni não perdoa. "O inusitado critério de noticiabilidade, a duração do seqüestro, acabou conquistando pouco a pouco todos os meios de comunicação que acabavam poi cobrir o evento mesmo fora de horários jornalísticos com medo do 'furo' da concorrência e na expectativa de libertação, que, segundo os envolvidos, poderia se dar a qualquer momento. O desfecho infeliz acabou gerando a quase beatificação/martirização da vítima fatal (Eloá) e a elevação ao nível de popstar da amiga Nayara, que, para a alegria dos flashes, apareceu refeita e sorridente após alguns dias de recuperação." E ainda ficam algumas dúvidas, passados meses do caso. "Tal como Jesus, que deu a vida para salvar a humanidade, a pobre Eloá passou por maus bocados ao lado da fiel amiga e deu a vida, por meio de seus órgãos, para que outras pessoas sobrevivessem. Virou mártir. Conseguiu chamar a atenção para as condições ruins de vida de uma população de centenas de Eloás e Nayaras que só são lembradas em tragédias como essa. Seu enterro virou fato jornalístico disputado ponto a ponto no Ibope pelas emissoras de TV e ganhando primeira página de muitos jornais brasileiros e estrangeiros. A culpa do espetáculo é do telespectador ou das emissoras?" EM AGOSTO DE 2OO5, JANTEI EM Londres com meu colega de Associação Internacional de jornalismo lnvestigativo, o Enveredamos pelos mágicos rigores gerados por obras fundamentais. Lembro que tratamos de martirização. Para Knightley, havia algo de cultura pop nos homens-bomba-mártires, que deixavam, para passar na tevê, aqueles vídeos com eles jurando morte aos Estados Unidos, com bandanas na cabeça e armas e bombas em punho. "Eles morrem para deixar esse legado para passar na TV Al-Jazeera. Talvez esses coitados tenham nisso suas MTVs, e em seus martírios, as suas bandas de rock. Talvez a cultura pop deles seja o martírio." Encerramos a conversa com Phil Knightley sugerindo a leitura de um capítulo da obra Massa e Poder (Ed. Cia das Letras), de Elias Canetti (Prêmio Nobel de 1962), chamado "A Festa Xiita do Muharram". A saber: Ali, genro do profeta Maomé, casou-se com Fátima. Geraram os filhos Hassan e Hussain. Na planície de Kerbela, no Iraque, no ano de 680, Hussain foi tocaiado e morto com 87 seguidores. Seu cadáver foi encontrado com 33 estocadas de lança e 34 golpes de espada. Sua cabeça, cortada e enviada a um califa em Damasco. Phil Knightley me explica que os Estados Unidos jamais derrotarão a parte terrorista dos xiitas radicais porque eles se martirizam copiando a martirização de Hussain. Eles têm os seus, nós temos os nossos. Cada época gera, lacunarmente, os mártires de que necessita. Fica de tudo isso a pergunta sobre a validade do coro báquico dos consumidores de catástrofes, sobre a vontade de justiciamento das famílias lesadas, sobre os que tentam desventrar suas tragédias dançando em rodopios, sobre os que jogam com o sonho da vingança. Fica a pergunta sobre o poder irruptivo que a martirização pode gerar em cada um de nós. © escritor Phillip Knightley - autor do tido e havido como o maior clássico sobre a literatura de jornalismo de guerra, a obra A Primeira Vítima (Ed. Nova Fronteira). Phil é um sarcástico de carteirinha. E por aqueles dias ESTava pondo na praça sua mais nova edição da obra, lançada em 1975. E que, agora, na mais recente edição, traz um capítulo sobre a Guerra do Iraque. Knightley confessou que a frase por ele mais ouvida, dos oficiais militares de imprensa, é que para influenciar a mídia "você deve caprichar mais no tom e na forma do que propriamente na mensagem, porque a mensagem acaba sendo, ao final das contas, o tom e a forma".
CLÁUDIO JULIO TOGNOLLI escreveu o perfil do advogado César Herman, preso na operação Anaconda, na RS 26 (nov.08).
Escrito por Prof. Dr. Arquimedes Pessoni às 15h13
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
Folha de SP, 17/2/2009
| Cérebro masculino vê mulher de biquíni como objeto, aponta estudo | | | Experimento de psicóloga americana revela estrutura de pensamento machista
Eduardo Geraque escreve para a “Folha de SP”:
Os homens podem não dizer isso explicitamente, mas há ocasiões em que todos tendem a pensar nas mulheres como objetos --principalmente quando elas estão de biquíni e não mostram o rosto. É isso o que acaba de mostrar um experimento realizado nos Estados Unidos com 21 homens heterossexuais estudantes de pós-graduação, apresentado em Chicago, na reunião anual da AAAS (Sociedade Americana para o Avanço da Ciência).
Talvez seja esse o efeito que explica sucesso que dançarinas mascaradas --como as personagens Tiazinha e Feiticeira-- costumam ter na televisão brasileira. O experimento usou máquinas de ressonância magnética para mostrar que os circuitos cerebrais ativados nos homens durante a observação de um corpo feminino sensual desprovido de identidade são os mesmos que os permitem de reconhecer uma ferramenta, um objeto inanimado.
"Tecnicamente, podemos usar uma espécie de eufemismo neurológico e dizer que o homem não tem essa atitude de uma forma premeditada. É algo que ele não racionaliza", afirma Susan Fiske, professora de Psicologia da Universidade de Princeton, uma das mentoras do experimento. Ela mostrou que o córtex pré-motor dos homens --uma das partes do cérebro mais envolvidas no reconhecimento-- foi a área cerebral mais ativada nos voluntários que observavam fotografias de um colo feminino.
Essa parte do cérebro também é acionada quando é feita uma interpretação mecânica de uma imagem -em oposição a interpretações sociais.
Questionada pela Folha sobre o possível viés cultural que o estudo possa ter --só americanos participaram do experimento-- Fiske disse não crer que o resultado mudaria se o experimento fosse feito em países, como o Brasil, onde mulheres de biquíni são comuns.
Fiske selecionou seus voluntários após aplicar um questionário a todos. Eles também precisaram passar por análises neurológicas. Só então os participantes puderam ser submetidos ao teste dentro de uma máquina de ressonância magnética funcional, que registra as atividades cerebrais.
Praia ou escritório
No total do teste, cada participante ficou diante de 160 imagens. Elas eram de mulheres e de homens. Nos dois casos, foram apresentadas durante o experimento fotos com roupas de trabalho e também em trajes de banho.
Imagens de rostos humanos, para medir a capacidade de reconhecimento de cada participante do teste, também foram exibidas.
Basicamente, a intenção era medir o grau de bem-estar dos voluntários após terem visto imagens de mulheres e de homens, tanto com o corpo exposto quanto coberto com roupas de trabalho. As imagens não eram pornográficas nem eróticas, disse Fiske. Os registros foram tabulados por meio de análises estatísticas de uso corrente por psicólogos.
De acordo com a pesquisadora americana, os seus resultados apresentados agora têm algumas implicações práticas. "Um dos desdobramentos pode ser o fato de que um patrão, por exemplo, pode beneficiar certas companheiras de trabalho em detrimento dos demais funcionários da empresa, dependendo de como ele idealiza aquele corpo", diz a psicóloga.
 Susan Fiske afirma que seus resultados também indicam que atitudes machistas de intimidação estão relacionadas com uma menor ativação de uma área do cérebro estudada por ela e envolvida na racionalização do pensamento, o córtex pré-frontal médio. "O sexismo hostil prediz uma menor ativação do córtex pré-frontal médio", afirma a pesquisadora. (Folha de SP, 17/2) |
Escrito por Prof. Dr. Arquimedes Pessoni às 22h19
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
|
|
 |
|