BBC Brasil, nov/2008

Buscas na internet alimentam hipocondria, diz estudo

 

 

 

Usuários tendem a selecionar a pior hipótese

Informações sobre saúde disponíveis na internet estão criando uma geração de hipocondríacos cibernéticos - pessoas que, sem razão, temem os piores diagnósticos para seus sintomas após surfar na rede - dizem pesquisadores.

Uma equipe da Microsoft analisou pesquisas relacionadas a saúde feitas na internet usando sites de busca e entrevistou 515 funcionários da empresa.

A equipe concluiu que as buscas na internet tiveram o potencial de aumentar os temores dos usuários. Uma dor de cabeça, por exemplo, se transforma, para essas pessoas, em um sintoma de um tumor.

Os especialistas recomendaram que pessoas que estão preocupadas com a saúde procurem um médico, no lugar de tentarem diagnósticos por meio da internet.

Auto-diagnóstico

O estudo da Microsoft teve como objetivo fazer melhorias em seu próprio site de buscas.

Cerca de 2% de todas as buscas na internet analisadas foram relacionadas a saúde.

Entre o 1 milhão de usuários monitorados pela pesquisa, 250 mil (ou seja, cerca de 25% da amostragem) fizeram pelo menos uma busca médica durante o período do estudo.

Os pesquisadores verificaram que buscas para sintomas comuns - como dores de cabeça e dores no peito - tinham a mesma probabilidade, ou maior probabilidade, de levar o usuário a páginas descrevendo condições graves que a páginas descrevendo condições benignas - embora doenças graves sejam muito mais raras.

Buscas por "dor no peito" ou "tique nervoso" trouxeram resultados assustadores com a mesma freqüência de condições menos sérias, embora as chances de que uma pessoa tenha um ataque cardíaco ou esteja sofrendo de uma condição neurodegenerativa fatal sejam muito menores do que as chances de que ela tenha uma simples indigestão ou tensão muscular, por exemplo.

Cerca de um terço dos 515 empregados da Microsoft que responderam a um questionário sobre seus hábitos quando fazem buscas sobre saúde na internet disseram que a primeira busca levou a outras, que exploraram doenças mais sérias e raras.

Embora a pesquisa não ofereça provas concretas de que fazer buscas na internet aumente os temores em relação à saúde - já que o usuário pode simplesmente estar curioso em relação a uma certa doença -, os pesquisadores dizem que, dependendo das circunstâncias, é muito provável que isso ocorra.

"Nossos resultados mostram que um instrumento de busca na internet tem o potencial de aumentar preocupações médicas", disse Eric Horvitz, um especialista em inteligência artificial da Microsoft.

Fontes confiáveis

Uma porta-voz do NHS, o serviço nacional de saúde britânico, disse que informações sobre saúde na internet não são substituto para os conselhos de um especialista.

"É sempre uma boa idéia falar com um médico que pode colocá-lo na direção certa se você está preocupado com sua saúde".

"A internet pode ser um instrumento útil para que se obtenha mais informação sobre certas condições, mas não deve substituir uma conversa com o especialista".

No entanto, o porta-voz da entidade de fomento à pesquisa sobre o câncer Cancer Research UK disse que sites confiáveis de informação podem ser um recurso útil.

"Paradoxalmente, o problema na Grã-Bretanha é que muitas pessoas ainda não reconhecem os sintomas do câncer e a demora em procurar o médico é uma das razões pelas quais os índices de sobrevivência ao câncer no país ficam abaixo dos melhores da Europa", disse Henry Scowcroft.

"É importante estudar mais este assunto, mas também devemos nos lembrar de que muitas pessoas ainda não têm acesso à riqueza de informações da internet, e de que as desigualdades na saúde - incluindo as desigualdades de acesso à informação - estão se acentuando, e não diminuindo".



Escrito por Prof. Dr. Arquimedes Pessoni às 21h10
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O Estado de S.Paulo, 12008

Médicos ganham prêmio por venda de emagrecedor

Comercialização chega a ser feita no consultório; a prática é proibida

Vitor Sorano e Maria Rehder

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Médicos paulistas que se destacaram na comercialização de produtos da Herbalife foram convidados para um cruzeiro gratuito pela costa brasileira em 2009. Tiveram direito ao brinde porque trabalharam pelas vendas da fabricante de chás e shakes para emagrecimento. Um dos convidados os vendeu dentro do próprio consultório - prática proibida pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp). Outros afirmam que a venda ocorre de forma indireta - por meio de pessoas relacionadas a eles.

A lista dos "qualificados" para o cruzeiro tem 302 pessoas do Estado. Entre elas, a reportagem encontrou nove médicos. A maioria nega usar a medicina para auxiliar no trabalho de distribuidor da Herbalife. A empresa informou, em nota, que seus distribuidores não precisam dizer em que trabalham e, por isso, não sabe quantos médicos há entre eles. Informou ainda que eles são independentes e devem respeitar as regras de suas profissões.

No computador de seu consultório, em Americana, a cardiologista Marly Aparecida Bazzaneli J. Ferraz mostra fotos de pessoas que perderam peso com Herbalife. A máquina guarda a planilha de preços dos produtos, estocados em outra sala. "A gente vê mudança na saúde quando as pessoas começam a suplementar com produtos de qualidade", afirma, quando perguntada sobre reeducação alimentar. Como exemplo, cita "clientes que perderam sete quilos no primeiro mês".

A reportagem levou dois potes, por R$ 161, para dez dias de tratamento. "Daqui a dez dias você volta e leva mais." A médica disse estar na lista do cruzeiro "pelo trabalho que faço com o pessoal que tem esses espaços Vida Saudável (locais onde se vende Herbalife)". "As pessoas são livres para escolher o que quiserem. É como se eu indicasse um suplemento, granola, suco de soja. Ela pode ir em vários lugares."

Gastroenterologista da capital, José Luiz Amuratti também atende quem quer emagrecer. À reportagem, que pagou R$ 200 pela consulta, garantiu na quinta-feira que até o ano novo seria possível perder "seis quilos". "Os produtos que a gente usa são da Herbalife, são maravilhosos."

No receituário colocou o endereço de um Espaço Vida Saudável. O doutor prescreveu oito visitas, a R$ 5 por sessão. Uma paciente, que não quis se identificar, recebeu uma receita dele para comprar, no mesmo local, 180 cápsulas de um produto da empresa - por R$ 37. Questionado, Amuratti diz não haver nada de errado. "Eu não comercializo no consultório. Faço de acordo com a ética.Eu sou distribuidor da Herbalife também. E o paciente pode ter a opção de comprar comigo ou qualquer distribuidor. E não é medicação."



Escrito por Prof. Dr. Arquimedes Pessoni às 21h10
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